Teorias da mudança social: as perspectivas lineares e as cíclicas

Revista de Ciências HumanasNbr. 32, October 2002

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A teoria da mudança social alinhava as principais questões que a sociologia tem problematizado ao longo de sua formação e desenvolvimento. As teorias lineares e cíclicas condensam os mais importantes debates acerca do devir. Partindo de alguns pressupostos do evolucionismo e do neoevolucionismo este artigo objetiva trazer à tona tanto as convergências e divergências constituidoras de uma das concepções que têm predominado da linearidade diret iva dos processos históricos, quanto a contraposição a estas correntes feita pela teoria cíclica que tende a acentuar o caráter não-linear e não-diretivo da mudança social.

Palavras- chave: Mudança social, processo linear, processo cíclico, evolucionismo, neo-evolucionismo.

The theory of social change lined up the main issues that sociology has discussed along its formation and development periods. The linear and cyclic theories put together the most important debates about the future. Having as a starting point some presuppositions of the evolutionism and the neo-evolutionism, our purpose is to bring up for discussion not only the convergences but also the divergences which constitute one of the conceptions that has prevailed in Social Sciencies: the perspective of the directive linearity of the historic processes as to the contraposition to these tendencies that is done through the cyclic theory which tends to emphasize the non-linear and non-directive character of the social change.

Keywords: Social change; linear process; cyclic process; evolutionism; neo-evolutionism.

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Teorias da mudança social: as perspectivas lineares e as cíclicas

Introdução

A o folhear* os manuais de teoria sociológica, os de introdução à Sociologia e os de Sociologia geral das décadas de 60 e 70, do século XX, o iniciante nos estudos de Ciências Sociais depara-se, quase que impreterivelmente, com capítulos que tratam especificamente da problemática da mudança social. Uma parte significativa destes materiais buscam dar conta das questões atinentes aos embates que a rigor compõem tanto as teorizações acerca deste tema quanto às implicações metodológicas que as várias perspectivas sociológicas enfrentaram ao tentar explicar a dinâmica social.

Somente a título de exemplo é interessante mencionar algumas obras possuidoras de orientações teórico-metodológicas distintas e que trazem em seu bojo capítulos específicos acerca da mudança social. Dentro de uma lista imensa podem-se citar brevemente os seguintes livros: Uma introdução à Sociologia (Anderson e Parker, 1974); Sociologia (Mciver e Page,1963); A Sociologia como crítica social, (Bottomore, 1976); Introdução à Sociologia (Bottomore, 1970); Sociologia sistemática (Mannheim, 1962); Pensamento teórico em Sociologia (Skidmore, 1976); Novas teorias sociológicas (Sorokin,1969); Teoria social moderna (Cohen, 1976); Política e sociedade numa época de transição (Germani, 1973); Mudanças sociais no Brasil (Fernandes, 1979); Sociedade de classes e subdesenvolvimento (Fernandes, 1975) e A Sociologia numa era de revolução social (Fernandes, 1976).

No âmbito deste artigo, no entanto, não se tem o objetivo de discutir as obras acima mencionadas; algumas delas, porém, servirão como pano de fundo para ilustrar as diversas correntes teóricas que têm buscado construir uma sociologia da mudança social. Não há, todavia, uma única teoria da mudança, mas várias, uma vez que, ao se deterem em aspectos diferentes da vida social, dentro de uma multiplicidade de elementos produtores da mudança, os cientistas sociais acabaram construindo uma gama diversa de reflexões acerca do modo como a dinâmica das inúmeras sociedades se processa.

O objetivo deste artigo é sistematizar tanto as perspectivas direcionais unilineares e multilineares quanto as perspectivas nãodirecionais da mudança social. Constatou-se que, no decorrer do século XX, a principal contestação às teorias assentadas na diretividade do processo histórico foi elaborada por Pitirim Sorokin (1889-1968) que elaborou uma das mais férteis críticas às diversas vertentes do evolucionismo sociológico. Portanto, no final desta exposição, dar-se-á aos seus escritos uma maior relevância.

As análises do evolucionismo clássico e do neo-evolucionismo serão circunscritas, exclusivamente, à temática da mudança social. Extrairse-ão dos escritos de seus principais teóricos (clássicos e contemporâneos) aqueles elementos que têm possibilitado a sedimentação de um amplo leque de explicações acerca das trajetórias fundadas em unicidades ou em multiplicidades diretivas. Os cientistas sociais que formularam e reformularam continuamente, ao longo do século XX, as teses embasadoras da multilinearidade buscaram alcançar evidências de que existem inúmeros processos continuados e constantes de progresso e de inovação. Coube à teoria cíclica da mudança social, principalmente aquela que foi desenvolvida por Pitirim Sor...

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